Direitos Autorais no Brasil

12 de Março, 2011 by Guilherme  
Arquivado em Arte e trabalho, Notícias

Artistas e Produtores redigiram esta carta aberta em defesa de seus legítimos interesses e convocam todos os setores da cultura para um debate aberto e democrático sobre a reforma da lei de direitos autorais.

Terceira Via para o debate sobre Direitos Autorais

O debate sobre a reforma da Lei de Direitos Autorais tem cada vez mais se polarizado entre os que defendem a manutenção do sistema atual e aqueles que querem flexibilizar radicalmente as regras. Posições extremas que levam a um impasse incontornável e perigoso.

Nenhum desses pontos de vista nos parecem equilibrados ou conscientes dos problemas, desafios e possibilidades gerados pela nova ordem digital. Uma proposta conciliadora deverá preservar fundamentos conquistados durante anos de trabalho da classe autoral e também incluir a nova cultura de acesso e consumo de bens culturais. O futuro não deve aniquilar o passado. O passado não pode evitar a chegada do futuro.

A grande questão a ser respondida, como propôs o diretor geral da OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), Francis Gurry, é: Como a sociedade pode tornar as obras culturais disponíveis para o maior público possível, a preços acessíveis e, ao mesmo tempo, assegurar uma existência econômica digna aos criadores e intérpretes e aos parceiros de negócios que os ajudam a navegar no sistema econômico? Uma resposta adequada virá de “ uma combinação de leis, infraestrutura, mudança cultural, colaboração institucional e melhores modelos de negócio”, ou seja, será fruto de um pacto entre diversos setores da sociedade.

Diante deste cenário, propomos uma Terceira Via para o debate sobre Direitos Autorais que agrega ideias e expande a abordagem. Entre nossas demandas destacam-se:

1. Defesa do Direito Autoral

Entendemos ser fundamental a preservação do direito autoral – inclusive no ambiente digital. É urgente a criação de mecanismos para remuneração do autor na Internet com o estudo de novas possibilidades de arrecadação no meio digital. Nesse sentido, a meta é uma política que, sem criminalizar o usuário, garanta a remuneração dos criadores e seus parceiros de negócios. Defendemos igualmente maior rigor com rádios e TVs inadimplentes.

2. Associações de Titulares de Direitos Autorais democráticas e representativas

As Associações precisam aprimorar seus mecanismos de decisão, envolver todos os autores e titulares em um ambiente democrático para garantir sua legitimidade mediante representação real e efetiva. Através do uso da tecnologia, as Associações devem modernizar a comunicação com autores e titulares, mostrar transparência, simplicidade e eficiência.

3. Aprimoramento Tecnológico e Transparência do ECAD

Defendemos o fortalecimento e a evolução do ECAD através da modernização e informatização total do sistema de gestão coletiva tanto no mundo real quanto digital. É fundamental a simplificação dos critérios de arrecadação e distribuição com transparência total.

4. Criação de um Órgão Autônomo de Regulação do ECAD

Criação de um órgão – cuja composição precisa ser cuidadosamente estudada – que promova a mediação de interesses, a transparência na gestão coletiva, além da fiscalização e regulação do sistema de arrecadação e distribuição de Direitos Autorais no Brasil.

5. Um ente governamental de alto nível dedicado à Música

A Música precisa ser entendida como força econômica importantíssima – inclusive para exportação da imagem e dos valores de nosso país – que, por se encontrar dispersa, requer aglutinação. A criação de uma “Secretaria da Música”, ligada ao Ministério da Cultura, é essencial para que o governo tenha um ponto de contato com o setor em sua totalidade. Este órgão precisa de poder decisório e capacidade de articulação para agir tanto como ponto focal para que o setor se organize ao seu redor quanto ser o interlocutor dentro do próprio governo, pela transversalidade inerente ao campo de atuação da Música.

Diante da relevância do tema para as políticas culturais do país e do mundo, pelo potencial de geração de riquezas, pela sua importância simbólica, cultural, política e social, pedimos que a reforma do sistema de direitos autorais e a criação da Secretaria da Música sejam entendidas como prioridades para o Estado brasileiro.

Colocamo-nos à disposição do Ministério da Cultura para um dialogo aberto e equilibrado. Temos certeza que juntos podemos construir o mais avançado, moderno e transparente sistema de Direitos Autorais do planeta, e aprimorar nossa Música – cultural e economicamente – através de politicas democráticas.

NOTA: Gostaríamos de registrar nosso repudio a todo e qualquer debate ofensivo e desrespeitoso. Apoiamos, acima de tudo, a troca de ideias inteligente e equilibrada.

 

Fonte: http://cgredes.blogspot.com/2011/03/terceira-via-para-o-debate-sobre.html

 

Veja que já assinou e ASSINE você também!!!

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A primeira pá de cal…

31 de Dezembro, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Notícias

O fechamento da Modern Sound – a mais tradicional loja de discos do Rio de Janeiro (RJ) – nesta sexta-feira, 31 de dezembro de 2010, simboliza o fim de um ciclo na indústria do disco. Por mais que tenha sua morte anunciada em crônicas escritas quase diariamente, o CD ainda vai sobreviver por mais alguns anos. E, provavelmente, nunca vai desaparecer por completo – assim como o vinil, seu antecessor, hoje reavivado e transformado até em objeto de luxo. Contudo, os novos modelos de comércio (legal e ilegal) de disco impostos pela internet tornam difícil a sobrevivência de uma loja como a Modern Sound. Essencial na era pré-virtual, a loja aberta no meio de Copacabana em 1966 era o endereço certeiro para quem procurava discos importados, álbuns de música brasileira ignorados pelas multinacionais do disco e títulos raros. Era uma loja cara e não costumava mimar seus clientes com descontos. Não compensava comprar na Modern Sound um lançamento que poderia ser encontrado, por preço mais acessível, numa rede de magazines. Mas lá tinha tudo. Tinha o disco que não se encontrava em outra loja. Sobretudo se esse disco fosse de jazz ou de world music. Com vendedores especializados em cada setor, a Modern Sound foi o porto mais seguro onde ancoravam colecionadores de discos de toda parte do Brasil, ávidos por comprar ali o disco que ninguém mais vendia no Brasil. Só que esse tudo que tinha ali hoje está na internet, de forma legal ou ilegal. Por isso, a Modern Sound fecha suas portas. A loja já não é mais essencial. Mas deixa saudades. Sobretudo a saudade de uma era em que o disco não era um objeto tão banalizado. Mesmo que a loja reabra em local menor, como é a intenção de seu fundador Pedro Passos, nada mais será como antes. A Modern Sound sai de cena deixando na memória a lembrança gostosa de ter sido importante nos dias gloriosos da indústria do disco. Que descanse em paz!!

Extraido na íntegra do blog Notas Musicais

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Weezer lança novo disco no Youtube

15 de Setembro, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Arte e trabalho, Notícias

Bela jogada de marketing da banda Weezer.

A banda entrou em contato com os principais canais do youtube e enviaram uma carta/e-mail dizendo que gostaria de promover o lançamento do novo disco no canal deles.

Além de terem escolhido a foto de um ator para a capa (e usar o nome do seu personagem em Lost), o que já é bem inusitado, fazer algo diretamente nos canais de maior audiência do youtube cria uma repercussão que eu com pararia a promoção segmentada em canais de TV.

E de quebra, eles devem ter conseguido toda essa exposição gratuitamente.

O conteúdo do e-mail era o seguinte (após as devidas apresentações):

“We’re up for just about anything that can be filmed in the studio. The finished clip will be yours to release and distribute on Sept. 14, 2010. Acting, performance, interview, make-up, comedy – you let us know what you want to do and how much time you think it might take to film.”

Veja o resultado em alguns dos canais que participaram desse lançamento:

Para os que lembram, em 2008 a banda chamou pessoas que tiveram seus vídeos entre os mais vistos no youtube para aparecer no video clipe de Pork and Beans. As “celebridades” froma (entr outras), Tay Zonday (“Chocolate Rain”), the Numa Numa Guy (Festa no Apê), o melodramático Chris “Leave Britney Alone” Crocker. O clipe levou um Grammy no mesmo ano.

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Como é o mundo digital do artista nas gravadoras

15 de Setembro, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Arte e trabalho, Notícias

Antes de se pensar em buscar o apoio de uma gravadora, é necessário saber o que acontece com os seus ganhos digitais

Recentemente um novo raio-X foi tirado dessa cadeia produtiva digital e olha só como os números surgiram:

Ou seja: na média, nada mudou. É o mesmo gráfico de 6 meses atrás, que é o mesmo gráfico dos CDs de 10 anos atrás. No caso dos CDs você tinha um custo elevado de produção, promoção e distribuição, mas e agora que digitalmente tudo está mais barato?

Você grava em um estúdio próprio da gravadora (que já existia, logo, custo afundado), tem que pagar um produtor bacana (tem algum custo aí sim). Os custos de distribuição e promoção serão de um, dois funcionários para colocar isso na rua (ou menlhor, na internet). Um profissional de rádio, que tenta garantir “spins” da sua música em rádio convencional tlvez nem seja necessário.

Disseminar um vídeo de youtube para fisgar mais fãs, uma ação promocional “e-mail por mídia”, twitter, facebook, disparar malas diretas: tudo isso é grátis ou muuuuuuito barato.

Na minha opinião, as gravadoras tinham que pensar em ter um “braço” ou label só digital, enxugar os custos desse label de 20 funcionários para 3, 4 pessoas e saber lidar com produção e promoção sem custos no meio digital. Só aí é que veríamos uma mudança nessa pizza fatiada, que deixa o artista e o compositor (que no gráfico ficou até de fora) sempre com o menor pedaço.

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Como enquadrar o músico como pessoa jurídica

14 de Agosto, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Arte e trabalho, Ferramentas úteis

Publicado recentemente no blog Bleffe, uma informação importante e que caminha junto com o post retrasado é que o artista musical independente pode ser enquadrado como “Empreendedor Individual” para fins de tributação como micro empresário.

O que isso quer dizer?

- Você pode emitir notas fiscais

- Benefícios ao abrir contas em banco e tomar empréstimos

- Todos os benefícios que a lei rege para pessoas jurídicas enquadradas como “Super Simples”

O que você precisa fazer?

1 – Acesse esse site ( Portal do Empreendedor ) para maiores detalhes

2 – Consiga um contador barato para te ajudar (o SEBRAE tem uma consultoria específica para esses casos também). Os custos de um contador podem ser a partir de um salário mínimo por mês até quantias exorbitantes, então, pesquise e saiba que quase tudo é negociável.

3 – Após se inscrever, os impostos incidentes são valores fixos (R$57,10 para comércio/indústria e R$62,10 para prestação de serviços) em cotas únicas, que substituem a avalanche de tributos que você deverá pagar, além de tornar você isento de tributos federais.

Limitações para poder se enquadrar:

- você não pode ter um faturamento maior que R$36.000,00 por ano

- Você não pode participar de mais nenhuma pessoa jurídica como sócio

- você precisa ter pelo menos um empregado contratado, ganhando o piso de sua categoria (ou um salário mínimo)

Para pesquisar melhor, saiba que estamos falando da  Lei Complementar nº 128, de 19/12/2008, que “criou condições especiais para que o trabalhador conhecido como informal possa se tornar um Empreendedor Individual legalizado”.

.. e você está esperando o quê? Vai lá regularizar o seu negócio!

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Reformulação dos Direitos Autorais

Queria deixar aqui minha manifestação sobre a reformulação da lei de direitos autorais no Brasil. Tenho lido vários blogs falando sobre o tema e como todos puxam a brasa para suas respectivas sardinhas, vou fazer o mesmo e puxar pra uma sardinha que eu tenho visto meio abandonada…

Li recentemente sobre o debate que aconteceu na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro e me senti compelido a entrar na roda dos textos que tenho lido em blogs País a fora.

Concordo com várias máximas que foram apontadas:

- Sim, acho que acervos de discos antigos que ninguém mais comercializa devam ser liberados ao público.
- Sim, acredito que o Creative Commons é um grande facilitador na divulgação e promoção de cultura.
- Sim, copiar pro iPod próprio não devia ser crime.
- Sim, vamos manter o ECAD privado, mas passível de fiscalização pelos artistas.
- Sim, também acho um absurdo não se poder escanear livros e disponibilizá-los para leitura a quem vai a bibliotecas (imagino até que traria uma revitalização no conceito de biblitoeca, pois as pessoas voltaria a visitá-la, sabendo que podem acessar todos os seus livros sem levantar da cadeira… ou mesmo de casa, pagando uma taxa de acesso ou mensal… mas isso é outro post).
- Sim, acho que a lei de 98 é ótima e serviu ao seu propósito, mas está velha comparada aos avanços de duas décadas (quanta coisa aconteceu de 98 pra cá, hein?) de direitos autorais e acho que podemos escrever outra lei/adaptar a antiga onde o maior beneficiário seja o autor, artista e seu produtor, já que são os maiores interessados da discussão toda.

Mas queria criticar o lado do autor, e para isso me valho de um  trecho extraído do debate na FGV, atribuído a Marília Maciel:

“Sobre a prática de P2P, o download de arquivos sem pagamento de direitos, ela afirmou que não existe nenhum estudo provando que é responsável, por exemplo, pela queda na venda de CDs. “Não se deve presumir que um CD baixado é menos um CD vendido,” disse ela. Ela ressaltou que baixar um CD fora de catálogo pode ser benéfico ao artista, que tem seu acervo em circulação mesmo que a gravadora não se interesse mais por ele. Isso pode gerar trabalho em shows para o artista.”

Hoje, vê-se “o artista”. No caso em específico, “o músico”.

O papel do autor está incluso no executante da música. Quem produz música eletrônica em casa, usando o mouse, computador, sintetizadores, não escreve música e guarda na gaveta. Ele escreve/compõem e executa a música, já fixada em um meio, com suas nuances, dinâmicas e interpretação prontas para o consumo. Sua composição vira um fim em sí mesma. Ele quer divulgar. Ele quer que alguém pegue a sua batida e coloque em outra música, desde que seja devidamente propagado junto com essa música que ele é seu criador. Não é da nota musical, mas do som que ele criou.

Apesar de usar a música eletrônica como exemplo, a autoria/composição e fixação do fonograma por execução de um instrumento (ou cantando)  na frente de um microfone ligado a um computador é algo tão presente, tão comum, está tão no sangue, que o profissional que só compõem nem é compreendido mais.

Ignora-se completamente o sujeito que tem uma folha com grupos de cinco linhas na frente e um piano na ponta dos dedos (ou um violão).

Ele não faz show. Ele não tem receita quando sua música é dada de graça. Muito menos quando ela toca numa rádio online. Ninguém vai pagar ele quando sobe no palco (se você pensou em ECAD, pense de novo.. 10 mil pessoas na platéia, o sujeito compôs uma música, que vai ser tocada em um show, que tem dois autores a serem pagos…. daí tem-se proprina – que todo mundo sabe que existe a rodo – , taxas ridículas de execução pública ao vivo – nem acho que devam ser mais caras –  pra serem divididas por todos, ECAD inclusive….)

Na boa…

Ele tem que receber dinheiro por cada venda. Ele tem que receber por cada vez que alguém grava uma de suas idéias. Ele não tem uma voz boa, mas sai dele a matéria prima pra centenas de vozes boas emocionarem milhões de pessoas.

Quer um exemplo na outra ponta do espectro?

Festa de aparelhagem (que é usado pela FGV como exemplo de inovação e um modelo a se estudar) e outros movimentos culturais de remix só existem porque alguém pagou caro para produzir/compor/gravar/distribuir/usar os melhores profissionais do mercado a Michelle Branch (uma de suas músicas é chupada de canudinho para ser a base do “Cross Fox” da Stephany), Michael Jackson, Queen, Madonna, Lady Gaga, Beyoncé, etc. porque são essas bases remixadas que geram as batidas usadas nesses movimentos culturais. Se eles fazem os próprios sonso com synths, as próprias batidas, ok (afinal, não estou envolvido nos movimentos pra saber todos os casos particulares), mas não é o que eu escuto nos vídeos sobre festas de aparelhagem, por exemplo. Corta, cola, faz grana em cima e não se paga quem gerou o substrato primordial daquele produto. eu achao uma puta falta de sacanagem.

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Eu fico achando que esqueceram do cara MAIS importante da cadeia da música toda. Sem ele, não se escreve música nenhuma, não se tem nada pra gravar, piratear, dar, consumir, vender, monetizar, dançar, chorar…..

É claro que está se falando dos direitos do autor nos debates e no texto sendo discutido, mas eu acho que não era pra ser incluso, era pra ser O FOCO PRINCIPAL!

A impressão que dá é:

“Salvem os que são músicos e compositores… e fodam-se os que se dedicam a somente compor.”

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Solução não. Talvez um bom começo…..

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Você já ouviu falar do audiolock.net?

Um mundaréu de pessoas já está execrando essa nova tecnologia, que consegue saber pra onde foi cada música, trecho e remix, mesmo depois de ser manipulada, inclusive analogicamente!

Uns estão chamando de “O novo DRM: versão invasiva”. Eu acho que pode ser uma ferramenta ótima para quem quiser saber onde está sua música, e poder cobrar se ela foi usada para auferir lucro a terceiros/ de terceiros (e o artista/autor/gravadora/produtor, etc poderia reclamar dos seus direitos, ao pedir o pagamento do que é seu, por lei) ou se simplesmente foi regravada por uma banda em início de carreira (e ninguém pede nada em troca.. quem sabe citar no disco demo que a música usa trecos do fulano de tal).

O poder vai pra mão de quem criou, e quem criou faz o que quiser com sua obra. Burrice dele em não saber pedir créditos a quem está nisso pelo amor e cobrar dinheiro de quem está gravando ele pela grana.

A reforma é mais do que necessária, mas eu não vejo ninguém discutindo o ponto de vista do “só autor”. O “só autor” e seu lugar no mundo digital da música é algo que eu venho refletindo a um tempo. Acho inclusive que já perdemos músicas fantásticas, porque autores tiveram que fazer outra coisa pra sobreviver que não fossem compor.

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Novas mídias e novos meios

21 de Julho, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Arte e trabalho, Entrevistas

Foi lançado no Brasil o livro “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins.

No livro, este professor do MIT nos EUA discorre sobre como as novas mídias produzem seu conteúdo e o que isso significa para o mercado e quem está dentro desse bolo (ou seja: você).

Melhor deixar o autor falar. Vejam essas entrevistas feita pelo Globo News:



Se você tem menos de 16 anos é possível que o livro não acrescente muito ao que você já conhece, mas não deixa de ser uma forma ampla, diferente e concisa de olhar as transformações nas mídias e em como utilizá-las hoje em dia.

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Mixagem com Rick Bonadio. “Go Back” – Titãs

15 de Julho, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Sem categoria

Rick Bonadio (produtor e técnico musical de renome no mercado) gravou em vídeo todo processo de mixagem da faixa “Go Back” dos Titãs e publicou no Youtube.

Mesmo para quem não conhece ou faz mixagem, são quatro vídeos que mostram de um jeito simples o que acontece por trás do som que é escutado no CD e no mp3.

A Compreensão integral do que é dito e mostrado nos vídeos só será alcançada por quem já é iniciado em compressão, reverb, limiter, etc. ou seja: quem entende um pouco do riscado.

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Música Ltda. – O negócio da música para empreendedores (Leonardo Santos Salazar)

13 de Julho, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Arte e trabalho, Ferramentas úteis

(imagem também em homenagem ao dia do Rock)

Eu costumo dar dicas, replicar e traduzir bons textos e disseminar arquivos para ajudar artistas musicais nas suas carreiras, tudo isso através desse blog.

Nesse post, eu IMPLORO que você baixe e leia o trabalho deste Pernambucano sobre o músico como empresa.

Ele cuidadosamente descreve e detalha praticamente tudo que envolve o artista no conceito clássico do mercado de trabalho musical e quais são as novidades do mesmo. É verdade que ele peca por falta de profundidade em alguns pontos (convenhamos que é uma tese de pós graduação em gestão de negócios, não um livro) mas facilmente pode virar o SEU manual de carreira musical “independente”.

Não precisa ler tudo e entender tudo do início ao fim. Baixe, passe o olho, veja o que serve para você nesse momento e consulte-o quando o próximo passo for dado.

Desde como estabelecer uma pessoa jurídica (modalidades e facilidades na lei brasileira que beneficiam uma empreitada musical) até tabelas com todos os profissionais e funções que você terá que lidar,ou pelo menos conhecer ao trabalhar com música.

Este é um PDF que não pode faltar no seu HD.

Clique aqui e baixe AGORA.

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ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA PARA ARTISTAS EMERGENTES – E MEGASTARS por David Byrne

9 de Julho, 2010 by Guilherme  
Arquivado em Arte e trabalho, Ferramentas úteis

Se você é músico ou artista musical, eis aqui o resumo mais interessante do que esperar e no que trabalhar com a sua música. Chego a ser petulantemente enfático e dizer a todos os leitores do blog Direito Musical que esta é uma leitura obrigatória antes de se pensar em pegar no violão.

Eu já tive uma gravadora. A Luaka Bop ainda existe, embora eu já não esteja mais envolvido nela. Meu último álbum saiu pela Nonesuch, uma subsidiária do império do grupo Warner Music. Eu também tenho lançado música por gravadoras independentes, como a Thrill Jockey, prensando CD’s e os vendendo nas turnês. Faço turnês regularmente e não vejo as simplesmente como uma perda diante das vendas de CD. Consigo enxergar o negócio de ambos os lados. Tenho feito dinheiro e tenho tido prejuízo. Tive liberdade criativa e também fui pressionado para fazer hits. Tenho lidado com o comportamento endeusado de músicos enlouquecidos e tenho visto gravações geniais de artistas maravilhosos que são completamente ignorados. Eu amo a música. Sempre amarei. Ela salvou minha vida e posso afirmar que não sou o único que vai dizer isto.

Aquilo que se chama hoje de “Music business” (o Negócio da Música), no entanto, não é o trabalho de produzir música. Em algum lugar do tempo e do espaço, isto se tornou o negócio de se vender CD’s em caixas de plástico, e isto vai terminar em breve. Mas isto não traz nada de ruim para a música e, certamente, nada de mal também para os músicos. Na verdade, com tantos meios de se alcançar um público, nunca existiram tantas oportunidades para os artistas que lidam com música.

Como as coisas estão indo? Bem, algumas tabelas se parecem com esta logo abaixo:

Menos música é comprada – e mais compras são digitais

Gasto do consumidor com música (a partir do formato).

Alguns vêem esta ilustração acima como uma direção calamitosa.

O fato do grupo Radiohead ter lançado seu álbum mais recente via On-line e Madonna, minha ex-colega de gravadora na época dos Talking Heads, ter saído da Warner para ir para a Live Nation, uma promotora de espetáculos, são dois sinais do fim do “Music business” como nós o conhecemos. De fato, estes são apenas dois exemplos de como os músicos estão habilitados a trabalhar fora do esquema das gravadoras tradicionais. Não existe uma única maneira de fazer parte deste negócio nos dias de hoje. Há, na verdade, seis modelos viáveis pela minha conta. Esta variedade torna-se boa para os artistas: dá a eles muitas maneiras de serem pagos e viverem disto. E isto é bom para o público também, que terá mais música para escutar, e até mais interessante. Vamos voltar no tempo e tirar alguma perspectiva desta situação.

O que é a Música?
Primeiro, esta é uma definição em termos. Do que estamos falando aqui? O que é exatamente ser vendido e comprado? No passado, a música era algo que você escutava e experimentava. Era mais um evento social do que puramente musical. Antes da tecnologia de gravação existir, você não podia separar a música de seu contexto social. Canções épicas, baladas, trovadores, espetáculos da corte, música religiosa, cantos shamânicos, canções de bar, música cerimonial, música militar, música para dança, todas estavam amarradas a funções sociais específicas. Era algo comum ao coletivo e frequentemente era utilitária. Você não podia levá-la para casa, copiá-la e vendê-la como uma mercadoria (a não ser as transcrições musicais, mas isto não é música). Você sequer podia ouvi-la novamente. A música era uma experiência, amarrada a sua vida. Você até podia pagar para escutá-la, mas feito isto, ela se esvaia. Tornava-se uma memória.

A tecnologia mudou tudo isso no século XX. A música – ou seu artefato gravado, pelo menos – se tornou um produto, uma coisa que podia ser comprada, vendida, comercializada, e tocada novamente ao infinito neste contexto. Isto acabou por criar a Economia dentro da música, mas nossos instintos humanos permaneceram intactos. Eu gasto muito tempo escutando música gravada, no entanto saio para ficar na multidão como público musical. Eu canto para mim mesmo e, sim, toco um instrumento (nem sempre tão bem assim).

Nós sempre queremos usar a música como parte de nossa estrutura social: para nos reunirmos nos concertos e bares, até se o som estiver uma droga; para passar a música de mão em mão (ou via Internet); na construção de templos nos quais apenas “nosso tipo de gente” possa escutar aquela música (salas de ópera e teatros sinfônicos); para quere saber mais sobre nossas predileções musicais – seus amores, roupas, crenças políticas. Tudo isso acaba por trair um impulso considerado eterno de ter um contexto maior por trás de um pedaço de plástico. Alguém vai dizer que esse ímpeto faz parte de nossa composição genética. Tudo isto é o que nós falamos quando tratamos de música. Tudo isto.

O que as gravadoras fazem? Ou, mais precisamente, o que elas fizeram?

* Custearam as sessões de gravação;

* manufaturaram o produto;

* distribuíram o produto;

* criaram o mercado do produto;

* emprestaram e adiantaram dinheiro para despesas (turnês, vídeos, cabelo e maquiagem);

* aconselharam e guiaram os artistas em suas carreiras e gravações;

* manipularam as contas.

Este era o sistema envolvido ao longo do século passado para comercializar o produto, dizendo que o recipiente – vinil, fita ou disco – é que carregava a música. Mas muitas coisas mudaram na década passada, o que reduziu o valor destes serviços para os artistas. Por exemplo:

Os custos de gravação declinaram a quase zero. Os artistas costumavam precisar das gravadoras para bancar suas gravações. A maior parte simplesmente não tinha os $15,000 dólares (o mínimo) necessários para alugar um estúdio profissional e para pagar um engenheiro de som ou um produtor. Para muitos artistas – talvez até a maioria agora – este não é mais o caso. Agora um álbum pode ser feito no mesmo laptop que você usa para checar seu e-mail.

Os custos de manufatura e distribuição estão se aproximando do zero. Costumava haver um ponto de complicação que tornava impraticável distribuir um álbum. Com os LP’s e os CD’s, existiam custos de manufatura dos produtos, custos de prensagem, envio, entre outros. Tudo isto era pago – de fato, era essencial – e era para ser vendido em volume, porque seria como muitos destes custos seriam amortizados. Agora não há mais isto: a distribuição digital é plenamente grátis. Não é mais barato, por unidade, distribuir um milhão de cópias ou apenas cem cópias.

Fazer turnês não é apenas promoção. Espetáculos ao vivo costumavam ser essencialmente uma maneira de tornar público um novo lançamento – meios para um fim, não um fim em si mesmo. As bandas entravam em débito antes da turnê, antevendo que eles recuperariam suas perdas mais tarde através de vendas crescentes do álbum. Isto, para ser bem grosseiro, está totalmente errado. É justamente o contrário. A apresentação ao vivo em si é uma arte distinta, bem diferente de fazer gravações. E para aqueles que podem realizá-la é um meio de se viver.

Então, com todas estas mudanças, o que acontece com as gravadoras? Algumas vão sobreviver. A Nonesuch, na qual eu lancei vários álbuns, tem prosperado mesmo sob domínio do Grupo Warner ao lidar com um elenco de doze artistas focados no talento. “Artistas como Wilco, Philip Glass, K.D. Lang e outros têm vendido mais aqui do que quando estavam nas chamadas gravadoras majors”, disse a mim o presidente da Nonesuch Bob Hurwitz, “até mesmo durante este período de declínio”.

Mas algumas gravadoras vão desaparecer, como as regras que elas costumavam pregar e entregar como seus múltiplos serviços. Em uma recente conversa que tive com Brian Eno (que está produzindo o próximo álbum do Coldplay e compondo com o U2), ele estava entusiasmado com o I Think Music – uma rede online de bandas independentes, fãs e lojas – e pessimista sobre o futuro das gravadoras tradicionais. Eno falou que “Estruturalmente, elas são gigantescas e estão inteiramente na defensiva agora. A única idéia é que elas podem uma grande notoriedade rapidamente, o que é atrativo para as bandas jovens que estão começando. Mas isto é tudo que elas representam agora: capital”.

Então, onde cabem os artistas nesta paisagem mutante?

Encontramos novas opções, novos modelos…

As seis possibilidades

Onde havia uma, agora existem mais: seis possibilidades de modelos de distribuição de música, indo desde aquela em que o artista está bem distanciado até aquela em que o artista faz quase tudo. Não surpreendentemente, quanto mais o artista está envolvido mais ele pode vender. O modelo do Faça-você-mesmo não é para todo mundo, entretanto não é este o ponto. Agora existe escolha.

<< menos controle | mais controle >>

1. Na ponta esquerda da escala da figura acima está o Contrato de Igualdade ou 360 (Equity Deal), no qual todos os aspectos da carreira do artista estão nas mãos dos produtores, promotores, equipe de marketing e agenciadores. A idéia é a que você pode alcançar uma ampla saturação de sua música e, com isso, vender, auxiliado por uma máquina que se beneficia de tudo que você faz.Pussycat DollsKornRobbie Wiliams fizeram contratos deste tipo, vendendo o direito de igualdade sobre tudo que eles tocam. Camisetas, gravações, concertos, vídeos, o artista normalmente consegue muito dinheiro com isso, embora eu duvide que as decisões artísticas sejam deixadas nas mãos dos artistas. Como regra geral, quando mais dinheiro entra, o controle criativo escapa. A parceria do direito de igualdade simplesmente tem muito a financiar.

Este é o tipo de contrato que Madonna acabou de fazer com a Live Nation. Pelos divulgados $120 milhões de dólares, a companhia – que até então tinha principalmente produzido e promovido concertos – vai querer uma parte tanto da renda de seus concertos quanto da venda da música dela. Por mim, eu não queria ser devedor da Live Nation, um braço do Clear Channel, um conglomerado que tomou as ondas das rádios norte-americanas como sustento. Mas Madonna é uma garota esperta, ela sempre tem controlado seu material. Vamos ver.

2. O próximo é que chamo de Contrato padrão (Standard deal). Este é mais ou menos o que eu convivi por muitos anos como membro do Talking Heads. A gravadora banca a gravação e lida com a manufatura, distribuição, imprensa e promoção. O artista tem uma porcentagem dos royalties depois que todos os custos são cobertos. A gravadora detém o direito de cópia da gravação. Para sempre. Existe outro tipo de arranjo neste tipo de situação: o típico pop star normalmente vive em débito com sua gravadora e com uma grande quantidade de outras entidades, e se eles enfrentam tempos difíceis nas vendas podem quebrar. Michael JacksonMC Hammer, TLC – o perigo do débito e sua extensão é uma longa história.

Obviamente, o custo destes serviços, assim como as despesas gerais da gravadora, conta para uma grande parte do preço dos CD’s. Você, comprador, está pagando por todos esses negócios, as fábricas de CD, os galpões e todo esse plástico usado no produto. Teoricamente, como muitos destes custos estão desaparecendo, eles não deveriam continuar a ser debitados para o consumidor – ou para o artista.

No gráfico abaixo: mais da metade do dinheiro da venda de um CD vai para Despesas Gerais e Marketing.

* preço médio do CD lançamento de uma grande gravadora no varejo = $15.99 dólares = 1% União dos Músicos / 5% Embalagem / 5% Royalties da editora / 5% Venda a varejo / 6% Distribuição / 10% Royalties dos artistas / 11% Lucro da gravadora / 15% Promoção e marketing / 18% Despesas gerais da gravadora / 24% Despesas gerais do varejo.

Com certeza, muitos dos serviços tradicionalmente realizados pelas gravadoras seguindo o “Contrato Padrão” estão agora sendo reformulados. Imprensa e publicidade, marketing digital, design gráfico – todos estão normalmente sendo feitos por empresas menores e independentes. Mas quem paga mais quer chamar mais a atenção. Se a gravadora paga por estes serviços, então ela tem a última palavra para decidir quem ou o que é prioridade. Se eles “não escutam a música de trabalho”, eles vão te dizer que sua gravação não vai decolar.

E o que acontece se as vendas online eliminarem muitas destas despesas? Olhe para o iTunes: $10 dólares por um download de “CD” reflete os custos da distribuição digital, o que parece bom, primordialmente. É certamente melhor para os consumidores, mas depois da Apple pegar seus 30%, a porcentagem de royalties é aplicada e o artista – surpresa! – não se encontra em posição melhor, veja a figura abaixo.

Sem ser coincidente, os números presentes na figura acima são similares aos da recente greve dos roteiristas de Hollywood. Será que os artistas e bandas vão se juntar e entrar em greve?

3.Contrato de Licenciamento (License deal) é bem similar ao Contrato padrão, a não ser pelo detalhe do artista reter os direitos de cópia e propriedade da gravação master. O direito de explorar comercialmente a gravação fica garantido para a gravadora por um período de tempo limitado – normalmente, sete anos. Depois disso, os direitos de licença para programas de TV, comerciais e variantes são revertidos para o artista. Se os membros dos Talking Heads tivessem mantido as “fitas master” em nosso próprio catálogo, hoje, nós teríamos muito mais ao licenciarmos como fazemos agora – e isto é de onde artistas como eu recebe boa parte de nossa renda. Se uma banda fez sua gravação sozinha e não precisa de apoio ou ajuda financeira, este modelo pode valer a pena. Ele permite um pouco mais de liberdade criativa, desde que você tenha menos interferência dos chefões. O lado ruim é que, como a gravadora não é dona da master, ela provavelmente investirá menos em fazer do lançamento um sucesso.

Mas com a gravadora certa o Contrato de Licenciamento pode ser uma grande opção. Este é o tipo de relacionamento que o Arcade Fire tem com a Merge Records, uma gravadora independente que tem feito um grande trabalho por esta banda ao evitar gastos imensos e um comportamento de gravadora grande. “Parte disso é ser realista e não colocar a si mesmo no buraco”, diz um dos fundadores da Merge, Mac McCaughan, ex-Superchunk. “Nunca recomendamos às bandas com quem trabalhamos que elas façam vídeos. Eu gosto de vídeos, mas eles não vendem muitos discos. O que realmente vende discos é entrar em turnê – e artistas podem realmente fazer dinheiro em turnê se eles controlarem o orçamento”.

4. Aqui surge o Contrato de Divisão de Benefícios (Profit-sharing deal). Eu fiz algo do tipo com meu álbum Lead us not into temptation em 2003. Eu tive um adiantamento mínimo da gravadora Thrill Jockey, pois os custos de gravação foram cobertos pelo orçamento da trilha sonora de um filme, e nós dividimos os benefícios (rendimentos) daí em diante. Eu retive a propriedade da “fita master”. A Thrill Jockey fez algum marketing e divulgação na imprensa. Eu poderia, ou não, ter vendido tantas cópias como se estivesse uma uma grande gravadora, mas, no fim das contas eu levei para casa uma boa parcela de cada unidade vendida.

5. No Contrato de Manufatura e distribuição (M & D deal), o artista faz tudo, exceto, claro, a manufatura e a distribuição do produto. É comum as companhias que fazem este tipo de contrato oferecerem outros serviços, caso do marketing. Mas dados os números, elas não se sustentam muito, ficando limitado o envolvimento delas neste modo de acordo. Grandes gravadoras tradicionalmente não fazem este tipo de contrato.

Nesta situação, o artista tem absoluto controle criativo, mas é uma transação arriscada. Aimee Mannfaz isto e funciona muito bem com ela. “Muitos artistas não percebem quanto dinheiro eles podem fazer ao reter a propriedade da obra e sua licença diretamente”, falou para mim Michael Hausman, o empresário de Aimee Mann. “Se isto for feito da forma correta, você é pago rapidamente várias vezes. É uma grande fonte de rendimento”.

6. Finalmente, no fim da escala, está o Modelo de Auto-Distribuição (Self-distribution), no qual a música é auto-produzida e auto-distribuída. Os CD’s são vendidos nas apresentações e através de um Website. A publicidade é uma página no MySpace. A banda compra ou pega emprestado um servidor para lidar com as vendas via download. Dentro dos limites daquilo que eles podem concordar, os artistas possuem total liberdade criativa. Na prática, especialmente para artistas em começo de carreira, isto pode significar uma liberdade imensa, um conceito abstrato de independência. Para aqueles que planejam pegar a estrada com seu material e tocá-lo ao vivo, os constrangimentos financeiros podem ser profundos. Orquestras/bandas de apoio, vídeos e cenários mirabolantes e luzes de alta tecnologia não saem barato.

Radiohead adotou este modelo de Faça-você-mesmo para vender seu mais recente álbum In rainbows, e foram um passo além ao deixar seus fãs darem o seu próprio preço pelo download. Eles não foram os primeiros a fazerem isto – a cantora Issa, antes conhecida como Jane Siberry, foi a pioneira no modelo pague-o-que-você-quiser há alguns anos –, mas a ação do Radiohead obteve um êxito maior. Deve ser menos arriscado para eles, embora isto seja um claro sinal que as mudanças estão em ação. Como Bryce Edge, um dos empresários da banda me disse, “A indústria reagiu como se o fim estivesse perto, falando que eles retiraram o valor da música, entregando-a por nada em troca, o que não foi verdade. Nós pedimos às pessoas para dar um valor a ela, o que para mim tem significado totalmente diferente”.

No final deste espectro, o artista fica recebendo a maior porcentagem de renda a partir das vendas por unidade, qualquer que seja, porcentagem esta que é a de vendas mais baixas muito provavelmente, mas nem sempre. Os artistas que fazem isto para si mesmos fazem mais dinheiro do que o pop star de primeira grandeza, mesmo que os números de venda sejam minúsculos se forem comparados. Lógico, nem todo mundo é tão esperto quanto esses nerds do Radiohead.

Liberdade versus Pragamatismo

Estes modelos citados não são absolutos. Eles podem se modificar e se desdobrarem. Aimee Mann e seu empresário pegaram a rota do Faça-você-mesmo por completo no início, fazendo dinheiro e enviando CD’s por envelopes de correio. Mais tarde, eles licenciaram as gravações para os distribuidores. As coisas mudam com o tempo. No futuro, nós veremos mais artistas pegarem vários modelos de contrato, misturando-os e encontrando versões deles. Para os artistas já existentes e para os em início de carreira – que lêem que o “Music business” está de mal a pior –, na verdade, passamos por uma boa fase, repleta de opções e possibilidades. O futuro da música como uma carreira ainda está plenamente aberto.

Muitos que tomam o fronte musical nunca saberão que o raciocínio em longo prazo deve ser mais sábio. Megastars ainda vão precisar daquele poderoso empurrão e esforço publicitário para um novo lançamento que somente as gravadoras tradicionais podem realizar. Para outros, aquilo que nós chamamos de gravadora pode ser reposto como uma pequena companhia que fornece rendimentos e fatura a partir de vários aspectos, mantendo as contas em ordem. Um agrupamento de artistas do meio escalão poderia fazer este modelo de trabalho funcionar. A companhia United Musicians, que o empresário de Aimee Mann fundou, é um bom exemplo.

Pessoalmente, eu aconselho os artistas a manterem seus direitos de publicação, suas editoras (bem, o tanto quanto eles possam fazer isso). Os royalties editoriais são agora pagos se alguém toca uma canção sua, se usa samples ou se licencia sua composição para um filme ou comercial. Isto, para aqueles que compõem, é seu fundo de aposentadoria.

Em alta está a possibilidade de os artistas manterem os direitos de propriedade sobre suas gravações também. Isto garante a eles outra lucrativa fatia das licenças assim como dá a eles o direito de explorar seu trabalho em mídias a serem inventadas no futuro (implantes musicais cerebrais e coisas do tipo).
Nenhum modelo destes pode funcionar para todos. Há espaço para todos nós. Alguns artistas são como a Coca e a Pepsi da música, enquanto outros são como vinho de fino trato. E é isto que é legal. Eu gosto da faixa “Umbrella”, de Rihanna, e de “Ain’t no other man”, de Christina Aguilera. Às vezes, um refrigerante de uma grande corporação é o que você quer, e não outra coisa. No passado recente, parecia que era tudo ou nada, mas talvez nós agora não sejamos forçados a escolher.

Ultimamente, todos estes cenários têm satisfeito os mesmos desejos humanos: o que precisamos fazer da música? Como nós visitamos as paisagens em nossas mentes e qual o lugar em nosso coração que a música nos leva? Será que eu posso pegar minha passagem de ida e volta?

Na verdade, não é isso que nós fazemos ao comprar, vender, trocar ou fazer um download?

David Byrne é ex-integrante do grupo Talking Heads, um dos pioneiros da cena punk/new wave de Nova York em meados da década de 1970, juntamente com os Ramones, Blondie, Television, entre outros. Ele está atualmente colaborando com Fatboy Slim e Brian Eno. Separadamente.

* publicado originalmente na Wired Magazine.

*Texto integralmente extraído do blog Mudernage.com.br

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